Ortiz

 

Miguel Ângelo Ortiz, o folclórico goleiro Ortiz, nasceu em Santa Fé, na Argentina, em 29 de setembro de 1947.  Fora do futebol, foi engraxate, servente de pedreiro, tratador de gado, padeiro e até crooner. Aos 17 anos começou no futebol na cidade de Santa Fé. Mas não como goleiro. Ortiz foi atacante, meia-direita, meia-esquerda, volante, zagueiro até chegar ao gol.  A sua altura foi determinante para ser goleiro. Todos diziam ao jovem Ortiz que no gol seus 1,92m de altura seriam determinantes para o sucesso no futebol.

No Colón, de Santa Fé, ficou pouco tempo, rapidamente transferiu-se para o Wanderes de Montevidéu. No Uruguay, chamou a atenção de um ex-atleta do Galo. Cinconegui, lateral campeão do Brasil em 1971, indicou o goleiro ao Galo. Ortiz chegou ao Galo ganhando 12 mil cruzeiros e teve seu passe negociado no valor de 350 mil cruzeiros. Em 1976, o goleiro Ortiz foi a sensação de BH. Com suas roupas extravagantes e defesas milagrosas, Ortiz  conquistou a  Massa atleticana. Mas Ortiz se consagrou de vez, quando passou a ser o batedor oficial de pênaltis da equipe.

Em 1976, o goleiro Ortiz foi a sensação de BH. Com suas roupas extravagantes e defesas milagrosas, Ortiz  conquistou a  Massa atleticana. Mas Ortiz se consagrou de vez, quando passou a ser o batedor oficial de pênaltis da equipe. Na foto Ortiz cobra um pênalti contra o América de Natal no Brasileirão de 1976. (Foto: Abril Press)

 

O amistoso entre Atlético e Corinthians em 5 de maio de 1976, no Mineirão, marcou a esteia do folclórico goleiro Ortiz. Aos 27 anos, Miguel Angel Ortiz, com sua bermuda branca de listras pretas nas laterais quase no joelho, camisa laranja e fita apache pendendo os longos cabelos tingidos de louro foi a atração do jogo que terminou sem gols.

A reportagem do Estado de MINAS no dia do jogo, destacava o fato. Sob o título: “ A Massa verá Ortiz, esta noite”, o texto dizia: O Goleiro Ortiz será  o maior artista do espetáculo que o Atlético e Corinthians fazem esta noite. Curiosamente, o público que for ao estádio vai torcer diferente. É lógico que a massa quer ver a vitória do Galo, mas ela torce também, para que o Corinthians não jogue na retranca, mas, isto sim, que parta com decisão para área do Atlético que chute, sempre a gol, que force ao maximo a defesa, porque Ortiz estará lá debaixo das traves como o dono do jogo. Pronto para justificar toda a fama que levou a condução de um dos melhores goleiros da Argentina e Uruguai.
O jornal ressaltava ainda que a presença do goleiro tiraria o brilho de outras grandes atrações, como Cerezo , Paulo Isidoro. Campos, Zé Maria, Vaguinho, e dos duelos entre Reinaldo e Moisés; Cafuringa e Cláudio, Romeu e Alves. Para aproveitar a ocasião , a diretoria aumentou o preço do ingresso de arquibancada para 25 cruzeiros.
Entretanto, a partida não correspondeu as expectativas. O jogo foi fácil para o estreante, que quase não foi exigido, porque o Corinthians pouco chutou a gol. Mesmo assim, Ortiz mostrou qualidade na reposição de bola coma as mãos. O público foi de apenas, 12833 pagantes. O passe do jogador foi comprado por Cr 350 mil. A indicação foi feita pelo ex-lateral esquerdo atleticano Cincunegui. O argentino, que defendia o Wanderes Uruguaio, recebeu Cr 120 mil de luvas, com salários de 12 mil mensais.

 

Ortiz aparece após levar o gol que eliminou o Galo nas semi-finais do Brasileirão 76. Em uma linha de passe de cabeça sensacional o Internacional RS eliminou o Galo aos 46 minutos do segundo tempo.

 

Depois da passagem do goleiro uruguaio Mazurkiewcz, que atuou no Galo entre 1972 e 1974, tentou-se contratar um novo Goleiro estrangeiro.  A indicação de Cincunegui foi decisiva para o fechamento do negócio. Na ocasião, Ortiz defendia o pequeno Wanderes de Montevidéu onde se destacou chamando a atenção dos Grandes do Uruguai e outros clubes da Argentina e Brasil . Com 1,92 m de  altura, Ortiz tinha boa presença nos lances pelo alto, grande agilidade na saída do gol e firmeza ao segurar as bolas.

 

 

Na final do Campeonato Mineiro de 1977 foi o ponto derradeiro de Ortiz no Galo. Em 2 jogos o goleiro levou 6 gols Acabou sendo contestado em sua lisura e nunca mais vestiu a camisa do Galo. Na foto gol de Revertria na final do Mineiro 77.

 

Antes de se tornar goleiro Ortiz atuou em outras posições como a meia direita, volante e meia-esquerda. “Era um jogador de ataque nas equipes em que iniciei na Argentina. Mas depois, porque era grande falaram que tinha de ir mesmo para o gol. Contava. Fora do futebol, foi engraxate, servente de pedreiro, tratador de gado, padeiro e até crooner. Inicialmente, seu estilo extravagante não caiu no gosto dos atleticanos que viviam provocando os cruzeirenses, por causa da camisa amarela do goleiro Raul. Ortiz mostrou que logo estaria ambientado no clima de rivalidade entre os dois principais clubes de Belo Horizonte.
Em Entrevista ao Estado de Minas, em 2 de maio declarou não temer os chutes do lateral-direito Nelinho: “Já enfrentei jogadores melhores. Ele é bom somente nos tiros livers e ainda assim sso não me mete medo. Para os tiros de 30 metros do gol, não pedirei barreira.” Pelo Atlético, Ortiz disputou 100 jogos e marcou 7 gols, todos de pênalti, ourta particularidade que chamaria a atenção no futebol mineiro. O argentino porém, não atuou depois da decisão do campeonato mineiro de 1977. Até então, em cinco clássicos, não havia sofrido gols.Nas duas últimas 2 partidas levou sei, quatro deles do uruguaio Revertria. O goleiro, que já morreu vitima de cirrose em 1996, deixou o Galo sob suspeita, nunca confirmada, de ter se vendido naquela decisão. Ortiz faleceu no dia 22 de julho de 1995, vitimado por uma cirrose, com apenas 48 anos

 

Em 1976, Ortiz conquistou seu único título pelo Galo. Em pé: Alves, Márcio, Ortiz, Cerezo, Dionísio e Vantuir. Agachados: Belmiro(Roupeiro), Marinho, Danival, Reinaldo, Paulo Isidoro e Marcelo. Foto:Estado de Minas.