Oldair

O Lider

 

Oldair nasceu em São Paulo no dia 1 de julho de 1939. No Futebol começou no Palmeiras onde foi campeão paulista em 1959 e do torneiro Rio São Paulo no ano de 1960.  Entretanto, Apesar dos dois títulos , Oldair apenas fazia parte do elendo do Palmeiras campeão nestes dois torneios. Entrava em alguns jogos mas nunca começou jogando. Sem muitas chances no time principal pensou em procurar espaço em algum time do interior de São Paulo.  Como uma vez declarou:

. "Quando estouramos a idade, alguns jogadores se espalharam pelo interior de São Paulo"

Mas o técnico Zezé Moreira o viu jogando e o convidou para uma temporada de testes no Fluminense do Rio.  Observado por um dos maiores mestres da história do futebol nacional Oldair recebeu uma proposta de contrato depois de um mês na cidade Maravilhosa. No Fluminense ficou entre 1960 a 1964, sendo campeão carioca em 64. No ano de 65, transferiu para o Vasco recebendo um outro convite de Zezé Moreira. No Vasco ficou entre 1965 e 67, até se transferir para o Galo em 68 sob indicação de Yustrick.

Nos tempos de Vasco, Oldair chegou a ser convocado para seleção brasielira para a copa de 1966, entretanto, não chegou a defender o Brasil na copa do Mundo.  Oldair era um polivalente nato. No Palmeiras começou como ponta-de-lanca, passou para o meio-campo e terminou na lateral. No Fluminense sob o comando de seu Mestre Zezé Moreira alterava partidas entre a lateral esquerda e o meio-de-campo. No Atlético, Oldair começou a jogar como volante e passou a atuar na lateral esquerda com a saída do uruguaio Cincunegui. "Em 71, quando começou o Brasileiro, o meu amigo Telê (Santana, o técnico do Galo na conquista do Brasileiro de 1971) me colocou de lateral e fui até o final", explicou.

Líder nato

Escolhido para ser o capitão do time comandado por Telê Santana, Oldair disse que, apesar da confiança do treinador, a liderança exercida sobre os companheiros era uma coisa natural, independentemente da função que possuía naquele time do Atlético campeão do Brasileirão de 71. "Eu era um líder nato", disse o ex-lateral atleticano.

Para ele, ser o capitão do time só se justificava pela liderança demonstrada em campo. "Isso para mim não valia nada. Era a minha maneira de ser. Ele (Telê) achou que eu ia ser útil tendo moral em cima do grupo, mas isso não valia nada. Se fosse ou não fosse (capitão), agiria da mesma maneira", contou.

Oldair lembra que o grupo não fugia das tradicionais brincadeiras nas concentrações, mas em campo a postura mudava e a seriedade prevalecia. Se fosse preciso dar bronca, não hesitava: "Além das brincadeiras na concentração, dentro de campo eu tinha moral, ia xingando, era muito respeitado, era eu quem conversava. Eles me respeitavam mesmo", afirmou.

Além do respeito, o ex-lateral atleticano era ouvido pelos companheiros, até mesmo quando ele pedia para que esquecessem a orientação passada pelo técnico no intervalo do jogo. "No intervalo, o técnico dava instruções, eu falava com o time, 'não vamos fazer nada disso', e jogava a responsabilidade para cima de mim. A gente sabe da responsabilidade porque está dentro de campo", observou.



Disciplina

Oldair acredita que o título de 71, o mais importante da história do Atlético, se deu pela disciplina dos jogadores, que conseguiam manter uma seqüência de partidas com a mesma escalação, e a união do grupo. O ex-jogador fez até um paralelo com a atual situação do time mineiro, que elegeu como inimigo número um a arbitragem no Campeonato Mineiro 2005.

"Naquela época o Atlético nunca reclamava de juiz, era disciplinado e não tinha jogadores expulsos. O sucesso do Atlético foi a seqüência", recordou. "Quando o Lola (ex-ponta-de-lança) se machucou, o Telê botou o Spencer, que foi até o final", acrescentou.

Oldair comemora o gol sobre o São Paulo em 12/12/1971, na vitória do Galo sobre o São Paulo na primeira partida das finais do Campeonato Nacional de 1971



O entrosamento do time foi fundamental para a conquista do título brasileiro. "Estávamos acostumado a jogar juntos. Quando a bola chegava, já sabíamos onde estava o companheiro, facilitava demais", comentou Oldair, que também destacou a união fora de campo: "Era um time muito bom, até a lavadeira fazia parte daquele grupo".

O Atlético foi campeão brasileiro após disputar um triangular com São Paulo e Botafogo. O time alvinegro venceu os dois adversários pelo mesmo placar (1 x 0) e ficou com o título. A equipe que bateu o Fogão, no Maracanã, com um gol marcado por Dario, o Dadá Maravilha, foi o seguinte: Renato; Humberto Monteiro, Grapete, Vantuir e Oldair; Vanderlei e Humberto Ramos; Ronaldo, Lola (Spencer), Dario e Tião.

Oldair jogou no Atlético até 1974. No ano seguinte, teve uma passagem por Brasília, mas voltou a Belo Horizonte para encerrar a carreira no time da Esab, empresa fabricante de soldas elétricas, e chegou a disputar o Campeonato Mineiro. O ex-lateral atuou ao lado de "veteranos" do rival Cruzeiro, como Evaldo e Natal.

Em 1976, Oldair decidiu se aposentar: "Eu disse, 'chega de bola'". Ao contrário de ex-jogadores que buscam a carreira de técnico ou uma função dentro do futebol. "Não tenho paciência, ninguém aprende nada. Se aprendesse, eu ensinaria meus filhos", ressaltou

Oldair vivie em Belo Horizonte e juntamente com sua esposa possui uma confecção de roupas.