Mário de Castro em 1929.

 

Mário de Castro começou o seu "reinado" em 1926 no jogo válido pela decisão do campeonato mineiro daquele ano. O jogo era entre Atlético X América e o endiabrado Mário de Castro fez 3 gols da vitória atleticana por 6X3 e impediu o Coelho conquistasse o seu décimo primeiro título consecutivo. Só isso já bastou para que Mário de Castro conquistasse o coração da Massa. Mas o artilheiro não se contentou e marcou mais 192 gols totalizando 195 em sua curta passagem de 5 anos pelo Glorioso.

 

Mário de Castro foi um jogador espetacular e era realmente um jogador à frente de seu tempo. Dono de uma condição física invejável marcava quase todos os seus gols no segundo tempo. Como uma vez disse: 

"Eu marcava meus gols quase sempre no segundo tempo e não me lembro de ter passado um partida sem marcar um gol"

O Sr José Secondino dos Santos, testemunha ocular dos feitos de Mário de Castro uma vez relatou:


“ Mário de Castro nunca chutava uma boal fora. Ou o goalkeeper defendia, ou  ela entrava. Nunca ia fora.....”

Fileto de Oliveira recordou certa vez:

“Ele dava um chute forte e a bola pegava um efeito tão impressionante que voltava para seu pés”

Mário de Castro era de uma família rica e tradicional do oeste mineiro. Seu pai, Lindolfo Rodrigues de Castro, era um senhor de vastas terras e muito influente e poderoso na cidade de Formiga. Quando o Senhor Lindolfo morreu prematuramente, foi sua esposa e mãe de Mário de Castro que assumiu o comando da família. Em 1925, dona Regina enviou seu filho a nova capital para que o mesmo estudasse medicina. Em BH Mário logo procurou uma equipe para jogar. E primeiro foi ao América que abriu as portas imediatamente. Afinal, Mario de Castro era rico e estudante de medicina, dois atributos essenciais para se ingressar no América que só exigia um ou outro. Só que Mário de Castro tinha os dois e mais um, era um craque de bola.


No América participou de alguns treinos e de repente sumiu para aparecer alguns dias depois no Atlético.
Nos primeiros jogos para que a mãe Regina não descobrisse seu “passa tempo” em Belo Horizonte, Mário de Castro usou o codinome de Orion. Algumas vezes na hora da foto, cobria o rosto com a mão ou se escondia. Mas quando a bola rolava ele, ou melhor seu futebol aparecia.


Mário por durante 2 anos consegui manter seu verdadeiro nome  preservado. Mas a notícia de que o filho de dona Regina  andava correndo atrás de uma bola na capital chegou a cidade de Formiga. Indignada, dona Regina resolveu ir até BH. Ia impor ao filho uma escolha. A bola ou os estudos. O futebol ao contrário do começo do século já não era muito bem visto pela alta sociedade. Visão que piorou quando veladamente os jogadores de futebol passaram a receber  dinheiro para jogar. Em BH em conversa com o filho, dona Regina viu que Mário ia bem na faculdade e que financeiramente poderia se manter na capital sem a ajuda da família. Sem como impor suas condições, a mãe de Mário de Castro acabou por aceitar que o filho ficasse com a bola e os livros. Voltou para Formiga convencida que o futebol não era tão nocivo assim.  E Orion, ou melhor agora Mário de Castro continuou no Atlético.

Mário de Castro também foi o primeiro jogador fora do eixo Rio-São Paulo a ser convocado para a Seleção Brasileira. Mas quando soube que seria reserva na copa do Mundo de 1930 mandou um recado ao Rio de Janeiro:

"Só vou se for titular!"

E não foi.

Na decisão do campeonato mineiro de 1931, Mário de Castro disputou sua última partida pelo GALO. Foi em Nova Lima, no alçapão do Bonfim em 27 de setembro daquele ano. O Leão começou vencendo por 3X0 e de ressaca, Mário de Castro "andava" em campo. Insultado pela torcida do Vila, Mário de Castro foi para o intervalo, limpou o estômago(isso mesmo chamou o Juca!) e voltou para a segunda etapa. Resultado: o Galo venceu por 4X3, todos os gols de Mário de Castro. Aí, o Clima fechou no estadinho do Vila, com o fim do jogo a delegação atleticana teve que fugir correndo da cidade com a torcida do Leão atrás. Até tiros foram dados e um torcedor foi morto! Para Mário de Castro esse fato foi um aviso que já era hora de parar e parou. 

 

Said, Jairo e Mário de Castro formaram o trio maldito.

 Em 1998, Mário de Castro faleceu com 90 anos em  Lavras na casa de seu filho.

 


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