Kafunga

Não tem coré-coré!

 

    Olavo Leite Bastos(7/8/1914) mais conhecido por seu apelido Kafunga foi talvez o maior goleiro que o Galo já teve. Seu apelido foi dado pelo tamanho de nariz que fazia-o fungar, daí surgiu Kafunga. A história de Kafunga no Atlético começou em um jogo em que ele tomou 10 gols! Isso mesmo, Kafunga levou 10 gols em um jogo em que a Seleção Mineira derrotou a Seleção do Estado do Rio. Mesmo assim o goleiro se destacou fazendo grandes defesas. No ano de 1933 o Atlético pagou 80 mil-réis e fez com que o goleiro se mudasse para Minas Gerais para sempre. 

 

Muita gente pensa que o termo “cabeça-de-bagre”, usado no futebol para definir um jogador ruim, sem a menor técnica, tenha sido criado pelo folclórico misto de jornalista e técnico João Saldanha. Mas não foi. A invenção foi de Olavo Leite “Kafunga” Bastos, considerado até hoje o melhor goleiro que vestiu a camisa do Clube Atlético Mineiro, em todos os tempos, apesar de seu 1,75 m. De acordo com o “Aurélio”, “cabeça-de-bagre”, uma gíria antiga, quer dizer indivíduo estúpido, idiota, imbecil. Faz o maior sentido, pois o bagre tem a cabeça oca e não serve para nada.



Quando parou de jogar, “Kafunga” não conseguiu ficar fora do futebol, por isso foi gerente e técnico (1961) do Atlético e depois comentarista esportivo de rádio, jornal e TV em Belo Horizonte. Dono de uma grande popularidade, não teve dificuldade para se eleger vereador por quatro mandatos e depois deputado estadual. Inteligente e mordaz soube criar muitas expressões que entraram para o vocabulário futebolístico nacional.

Kafunga depois que parou virou comentarista esportivo e radialista e verador em BH por duas vezes.


Além do “cabeça-de-bagre” achou inspiração para muitas outras frases que são repetidas até hoje; “No Brasil o errado é que está certo", para criticar algumas coisas do esporte ou fora dele; "Não tem corê-corê”; "gol barra limpa" ou "barra suja”, quando o lance era legal ou não; "Isso é lá dos tempos de mil e novecentos e Kafunga”, quando queria dizer que uma coisa era muito velha; "vap-vupt" , para o que era feito de qualquer jeito; “despingolar”, sair correndo, evadir-se, desvencilhar-se; “tá no filó”, gol, bola na rede; “lesco-lesco”, destramelar, abrir, liberar e “FAO”,Força Atleticana de Ocupação.

Sentindo o gostinho pelo rádio, “Kafunga” não se limitou apenas a falar sobre futebol. Aos domingos apresentava na Rádio Itatiaia um programa de música brasileira do passado, o “Kafunga de todos os tempos”, onde se divertia contando histórias de quando jogava.



Ninguém jogou tanto tempo pelo Atlético quanto “Kafunga”. Ele foi diferente da maioria dos jogadores de futebol de hoje, que assinam contrato, juram amor pelo clube, beijam o escudo e logo, logo vão embora. “Kafunga” defendeu o “Galo” em 435 jogos, de 1935 a 1953, e foi campeão mineiro por 11 vezes, além de “Campeão dos Campeões”, em 1937. Participou da famosa excursão a Europa em 1950, sendo um dos “campeões do gelo”. Até hoje a torcida atleticana lembra um dos melhores times do Atlético, em toda sua história de 100 anos, formado ao final dos anos 40: Kafunga – Murilo e Ramos – Mexicano - Zé do Monte e Afonso – Lucas – Lauro – Carlyle – Nívio e Lero.



A contratação de “Kafunga” tinha tudo para não acontecer. Em 1933, defendendo a seleção fluminense, num amistoso, foi goleado por 11 X 1. Mesmo assim os dirigentes gostaram de sua atuação e resolveram contratá-lo. E o tempo mostrou que não tiveram motivos para arrependimento.

Apesar de toda a afeição e dedicação que teve pelo Atlético e por Belo Horizonte, “Kafunga” não era mineiro. Nasceu em Niterói (RJ) no dia 7 de agosto de 1914 e faleceu no dia 17 de novembro de 1991, em Belo Horizonte. O apelido ele ganhou por causa do tamanho do nariz, que o fazia fungar constantemente.

Kafunga em ação em 1940 em jogo contra o Palestra.

Tudo sobre Kafunga:

Olavo Leite Bastos

Posição: Goleiro

Data de Nascimento: 07/08/1914
Cidade: Niterói -RJ
Data de Falecimento: 17/11/1991
Cidade: Belo Horizonte-MG
Período no Atlético: 1935-1952 e 1954
Primeiro jogo: 27/01/1935
Atlético 0x2 Villa Nova-MG – Amistoso
Último Jogo: 10/07/1954
Atlético 2x2 Sete de Setembro-BH – Campeonato Mineiro/1954
Clube Anterior: Fluminense de Niterói-RJ
Clube Posterior: Encerrou a carreira
No Atlético: Foram 435 Jogos e 567 Gols Sofridos. (*)
Títulos pelo Atlético:
Campeão Mineiro – 1936, 1938, 1939, 1941, 1942, 1946, 1947, 1949, 1950, 1952 e 1954
Campeão dos Campeões – 1937
Sua carreira:
Fluminense de Niterói-RJ; ATLÉTICO (1935-1952); Asas de Lagoa Santa-MG e ATLÉTICO (1954).

 

 
 


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